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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Bolsonaro e o programa Mais Médicos: Do pipôco ao forte abraço nos cubanos


Em artigo sobre a portaria publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 29, que permite a residência aos médicos cubanos, o oftalmologista e vereador Dr. Eron aponta contradições ideológicas no discurso do então candidato e do presidente eleito Jair Bolsonaro. Confira:
A garantia de mercado de trabalho e a sonhada valorização dos médicos brasileiros que atuam na Atenção Primária à Saúde ainda não existem efetivados pelo presidente Jair Bolsonaro, passados seis meses de governo. A implantação de uma carreira nacional desses profissionais, salários dignos e a garantia da segurança trabalhista, por meio de concurso público e carreira funcional, são fundamentais para a saúde do povo mais carente de assistência médica qualificada, nos mais de cinco mil municípios brasileiros.
Infelizmente, o atual presidente ganhou as eleições num processo extremamente midiático, quando promoveu “o bem contra o mal”, desviando o foco do problema da falta de uma política nacional de saúde pela presença dos médicos cubanos, que aqui vieram para suprir uma lacuna de médicos brasileiros que nunca aceitaram trabalhar sem as menores condições profissionais e, principalmente, de respeito para com os pacientes.
Bolsonaro, em sua campanha ao Palácio do Planalto, ao invés de ter combatido a ausência de uma política pública na Atenção Primária, não aplicada com eficiência pela então presidenta Dilma e depois por Temer, preferiu o caminho mais bombástico e mais midiático, ao prometer, caso fosse eleito, que “expulsaria os médicos cubanos do país”… Coisa que não foi necessária, pois, com a sua eleição confirmada, o governo cubano anunciou a sua saída da parceria com o Brasil no “Programa Mais Médicos”.
Bolsonaro, no entanto, já presidente empossado, afirmou que concederia a todo cubano que o solicitasse o status de asilado um título diferente do de refugiado, mas que também permitiria ao “estrangeiro” permanecer legalmente no nosso País.
E, nesta segunda-feira (29), estamos com a palavra cumprida do presidente Bolsonaro. As regras estão em portaria publicada no Diário Oficial da União, cujo texto foi assinado pelos ministros Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores ).
Continuamos sendo desvalorizados e desrespeitados, pois a “briga” do presidente Bolsonaro, que se dizia de ideologia, leia-se “direita contra esquerda”, não tem mais âncora, pois, além dos “cubanos comunistas”, outros não cubanos têm na Portaria as devidas autorizações de residências. Os cidadãos da República Dominicana, que tenham feito a “solicitação de refugiado”, terão direitos ao mesmo mercado de trabalho dos “comunistas”.
E nós, médicos brasileiros, comunistas e não comunistas, teremos que engolir a tudo ao som de Cazuza: “Ideologia! Eu quero uma pra viver”…
Dr. Eron, médico e vereador de Fortaleza
FONTE: http://blogdoeliomar.com.br/2019/07/29/bolsonaro-e-o-programa-mais-medicos-do-pipoco-ao-forte-abraco-nos-cubanos/

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